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    Carga tributária efetiva para médicos PJ em 2026

    Veja quanto um médico PJ paga de tributos em 2026 por faixa de faturamento e município, somando ISS, PIS/Cofins (ou CBS), IRPJ, CSLL e IR sobre dividendos.

    10 de janeiro de 2026Atualizado em janeiro de 2026

    Dados em Destaque

    33,71%

    é a participação conjunta de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins na carga tributária brasileira de 2024 (em proporção do total arrecadado), tributos que compõem a principal carga sobre pessoas jurídicas, inclusive clínicas e sociedades médicas

    Receita Federal do Brasil – Estudo Carga Tributária no Brasil 2024 (2024)

    4,8% IRPJ + 3,2% CSLL

    é a tributação definitiva aplicável em 2026 para pessoas jurídicas sobre a diferença entre o valor de mercado e o valor de aquisição de bens móveis e imóveis no regime Rearp Atualização, totalizando 8,0% sobre essa base, o que ilustra a ordem de grandeza da carga combinada de IRPJ e CSLL para PJs, inclusive médicas

    Receita Federal do Brasil – Norma do Rearp Atualização (2025)

    10%

    é a alíquota de IRRF sobre lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas residentes no Brasil, em montante superior a R$ 50.000,00 por mês pagos por uma mesma pessoa jurídica, aplicável a partir de 1º de janeiro de 2026, afetando a tributação efetiva de médicos que recebem dividendos de suas pessoas jurídicas

    Receita Federal do Brasil – Atualização de normas do IRPF (2025)

    A carga tributária efetiva da pessoa jurídica médica em 2026 deixa de ser um número único e passa a depender diretamente de três eixos: faixa de faturamento, município (alíquota de ISS) e forma de distribuição dos lucros aos sócios. Para a maioria das clínicas e sociedades médicas, a alíquota global combinando ISS, PIS/Cofins (ou CBS em teste), IRPJ, CSLL e IR sobre dividendos tende a ficar, em 2026, numa faixa aproximada de 12% a 22% sobre o faturamento, variando conforme o regime e a cidade.

    "Em 2026, a carga tributária efetiva da PJ médica deixa de ser uma ‘alíquota única’ e passa a ser um mosaico por faixa de faturamento e município: ISS, PIS/Cofins (ou CBS), IRPJ e CSLL variam conforme regime, cidade e estrutura de custos. A dica prática é abandonar simulações genéricas e montar planilhas comparativas por cenário – faixa de receita, município e modelo de atendimento – para projetar a alíquota efetiva real e ajustar honorários antes que a nova sistemática corroa sua margem." — Thomas Broek, Contador Especialista - Contabilidade Zen


    1. Contexto 2026: por que a carga efetiva do médico PJ ficou mais complexa?

    Alguns movimentos tornam 2026 um ano-chave para pessoas jurídicas médicas:

    • A participação conjunta de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins na carga tributária brasileira de 2024 foi de 33,71% do total arrecadado, mostrando o peso desses tributos sobre pessoas jurídicas, inclusive clínicas médicas.
    • No regime especial de atualização patrimonial para PJs (Rearp Atualização), a diferença entre valor de mercado e custo de aquisição de bens é tributada à alíquota definitiva de 4,8% de IRPJ + 3,2% de CSLL (8,0% no total), ilustrando a ordem de grandeza da carga combinada IRPJ/CSLL para empresas em geral, incluindo médicas.[6]
    • A partir de 1º de janeiro de 2026, lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas residentes acima de R$ 50.000,00 por mês por PJ passam a sofrer IRRF de 10%, o que impacta diretamente médicos que recebem lucros de suas clínicas.[2]
    • Mais de 25% das retenções em malha fina do IRPF em 2024 tiveram origem em despesas médicas, evidenciando foco fiscal sobre o setor de saúde, inclusive estruturas de PJ médica.
    • Estuda-se um imposto mínimo global de até 14% para alta renda (acima de R$ 50 mil/mês), com potencial de elevar a tributação efetiva sobre rendas de capital e lucros, inclusive de sociedades médicas.
    • A partir de 2026, o sistema brasileiro entra em fase de testes com CBS e IBS (reforma do consumo), exigindo destaque desses tributos nos documentos fiscais, ainda que sem recolhimento em 2026 em determinados casos.[4][7]

    Na prática, o médico PJ precisa olhar para 2026 com modelo de simulação, não mais com “alíquota de gaveta”.


    2. Estrutura da carga tributária da PJ médica em 2026

    Para estimar a carga efetiva é preciso somar:

    • Tributos sobre faturamento/receita
      • ISS (municipal)
      • PIS/Cofins (ou CBS na transição, em testes)
    • Tributos sobre lucro
      • IRPJ
      • CSLL
    • Tributo na distribuição
      • IRRF de 10% sobre lucros/dividendos acima de R$ 50 mil/mês por PJ para cada sócio PF, a partir de 2026.[2]

    Além disso, há previdência (INSS pró-labore ou contribuição como autônomo) e eventuais regimes especiais municipais de ISS para profissionais de saúde, que podem alterar fortemente a alíquota efetiva.

    "A partir de 1º de janeiro de 2026, haverá tributação na fonte à alíquota de 10% sobre lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas residentes no Brasil em montante superior a R$ 50.000,00 por mês pagos por uma mesma pessoa jurídica." — Receita Federal[2]


    3. Parâmetros usados nas simulações (hipóteses didáticas)

    Como as regras municipais variam e parte da reforma do consumo ainda está em fase de implementação e testes, as simulações abaixo utilizam hipóteses realistas e pedagógicas, não substituindo estudo individualizado.

    Hipóteses gerais:

    • Regime tributário: Lucro Presumido (modelo mais comum para sociedades médicas de pequeno e médio porte). Simples Nacional não é detalhado aqui, pois depende de anexos e sublimites específicos.
    • Atividade médica: serviços de saúde em geral, faturando por convênios, particulares e eventualmente por plantões via PJ.
    • Municípios simulados:
      • Cidade A: ISS 2% (município mais competitivo)
      • Cidade B: ISS 3% (cenário intermediário)
      • Cidade C: ISS 5% (teto usual de muitos municípios)
    • PIS/Cofins cumulativos: carga aproximada de 3,65% sobre receita, como no regime cumulativo tradicional de serviços (PIS 0,65% + Cofins 3,0%), enquanto a CBS passa por fase de testes em 2026.
    • Base presumida Lucro Presumido para serviços médicos: 32% da receita bruta.
    • Alíquotas IRPJ/CSLL:
      • IRPJ: 15% sobre a base presumida + 10% adicional sobre parcela do lucro presumido que exceder R$ 20 mil mensais (simplificado, sem detalhamento de adicional por faixa trimestral).
      • CSLL: 9% sobre a base presumida.
    • Distribuição de lucros:
      • Sócio único PF recebendo 100% do lucro.
      • Valor mensal de lucros acima de R$ 50.000,00 estará sujeito a IRRF 10%.[2]

    Esses parâmetros permitem comparar ordens de grandeza da carga efetiva por faixa de faturamento e município.


    4. Simulações por faixa de faturamento e município (sem IR sobre dividendos)

    Primeiro, calculamos a carga no nível da PJ, sem considerar o IR de 10% sobre dividendos na PF.

    4.1 Fórmula simplificada de carga efetiva PJ (Lucro Presumido)

    Para fins didáticos, considere:

    • Receita bruta mensal: (R)
    • ISS: (\text{ISS}%) do município
    • PIS/Cofins cumulativos: 3,65% de (R)
    • Base presumida de lucro: 32% de (R)

    Então, aproximadamente:

    • (\text{IRPJ} = 15% \times 0{,}32R) (sem considerar adicional para simplificação em faixas menores)
    • (\text{CSLL} = 9% \times 0{,}32R)

    Logo, carga aproximada sobre (R) vinda de IRPJ + CSLL:

    • (0{,}32R \times (15% + 9%) = 0{,}32R \times 24% = 7{,}68% \times R)

    Carga aproximada PJ (sem IR dividendos):

    [\text{Carga efetiva PJ} \approx \text{ISS}% + 3{,}65% + 7{,}68% = (11{,}33% + \text{ISS}%)]

    Portanto:

    Município (ISS)ISSPIS/CofinsIRPJ+CSLL (presumido)Carga PJ aproximada sobre faturamento
    Cidade A2%3,65%7,68%13,33%
    Cidade B3%3,65%7,68%14,33%
    Cidade C5%3,65%7,68%16,33%

    Esses percentuais são médias aproximadas para a PJ médica em Lucro Presumido, antes de considerar:

    • adicional de IRPJ,
    • benefícios ou regimes municipais especiais,
    • créditos, custos e deduções específicas,
    • impacto do IR de 10% sobre lucros na PF.

    Observe que, no contexto geral brasileiro, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins representaram 33,71% da carga tributária total em 2024, reforçando que esses tributos são o coração da carga sobre PJs.


    5. Inclusão do IR de 10% sobre dividendos (PF) por faixa de faturamento

    Agora, incluímos a tributação de 10% na fonte sobre lucros distribuídos acima de R$ 50.000,00/mês, a partir de 2026, conforme normas do IRPF.[2]

    5.1 Hipóteses adicionais

    • Margem operacional após tributos da PJ: aproximamos como lucro distribuível de 60% do faturamento (apenas para exemplificar; na prática essa margem dependerá dos custos reais da clínica).
    • Sócio único recebe todo o lucro distribuível.

    Assim, lucro distribuível mensal (L \approx 0{,}60R).

    Se (L > 50.000), incide 10% de IR sobre a parte excedente.

    5.2 Faixa de faturamento até R$ 70.000,00/mês

    • (R = 70.000)
    • Lucro distribuível estimado: (L = 0{,}60 \times 70.000 = 42.000)
    • Como L < 50.000, não há IRRF sobre dividendos.

    Carga efetiva total ≈ carga PJ:

    • Cidade A (ISS 2%): ≈ 13,3%
    • Cidade B (ISS 3%): ≈ 14,3%
    • Cidade C (ISS 5%): ≈ 16,3%

    5.3 Faixa de faturamento de R$ 100.000,00/mês

    • (R = 100.000)
    • Lucro distribuível estimado: (L = 0{,}60 \times 100.000 = 60.000)
    • Excedente para IR dividendos: (60.000 - 50.000 = 10.000)
    • IRRF dividendos: 10% de 10.000 = R$ 1.000,00 (1% de R em relação ao faturamento).

    Carga total aproximada sobre faturamento (PJ + IR dividendos):

    MunicípioCarga PJ estimadaIR dividendos (% de R)Carga total aproximada
    Cidade A13,33%1,0%14,33%
    Cidade B14,33%1,0%15,33%
    Cidade C16,33%1,0%17,33%

    5.4 Faixa de faturamento de R$ 150.000,00/mês

    • (R = 150.000)
    • Lucro distribuível estimado: (L = 0{,}60 \times 150.000 = 90.000)
    • Excedente para IR dividendos: (90.000 - 50.000 = 40.000)
    • IRRF dividendos: 10% de 40.000 = R$ 4.000,00 (cerca de 2,67% de R).

    Carga total aproximada:

    MunicípioCarga PJ estimadaIR dividendos (% de R)Carga total aproximada
    Cidade A13,33%2,67%≈ 16,0%
    Cidade B14,33%2,67%≈ 17,0%
    Cidade C16,33%2,67%≈ 19,0%

    5.5 Faixa de faturamento de R$ 250.000,00/mês

    • (R = 250.000)
    • Lucro distribuível estimado: (L = 0{,}60 \times 250.000 = 150.000)
    • Excedente para IR dividendos: (150.000 - 50.000 = 100.000)
    • IRRF dividendos: 10% de 100.000 = R$ 10.000,00 (4% de R).

    Carga total aproximada:

    MunicípioCarga PJ estimadaIR dividendos (% de R)Carga total aproximada
    Cidade A13,33%4,0%≈ 17,3%
    Cidade B14,33%4,0%≈ 18,3%
    Cidade C16,33%4,0%≈ 20,3%

    Essas simulações mostram que a partir de certo patamar de faturamento, o IR de 10% sobre dividendos começa a empurrar a carga efetiva total para a casa de 18% a 22% em municípios com ISS mais elevado.


    6. Comparação direta por faixa de faturamento e município (síntese)

    Considerando as hipóteses adotadas, temos um quadro de referência para a PJ médica típica em Lucro Presumido em 2026:

    Faturamento mensal (R$)Cidade A (ISS 2%)Cidade B (ISS 3%)Cidade C (ISS 5%)Observação principal
    50.000≈ 13,3%≈ 14,3%≈ 16,3%Sem IR dividendos (lucro < 50k)
    70.000≈ 13,3%≈ 14,3%≈ 16,3%Lucro próximo do limite de 50k
    100.000≈ 14,3%≈ 15,3%≈ 17,3%IR dividendos agrega ≈ 1 p.p.
    150.000≈ 16,0%≈ 17,0%≈ 19,0%IR dividendos ganha peso
    250.000≈ 17,3%≈ 18,3%≈ 20,3%Faixa alta de carga efetiva

    Lembrando que, no cenário internacional, discute-se ainda um imposto mínimo global de 14% para alta renda, que poderia atuar como piso de tributação sobre rendas de capital, empurrando para cima a carga efetiva de lucros de sócios de sociedades médicas com renda superior a R$ 50 mil/mês.


    7. Impacto da fiscalização e do risco de malha para médicos

    Os médicos estão sob foco crescente da Receita Federal tanto na pessoa física quanto na pessoa jurídica:

    • Em 2024, mais de 25% das retenções em malha fina do IRPF decorreram de despesas médicas.
    • Isso indica que a Receita cruza intensamente despesas de pacientes com rendimentos declarados por médicos e clínicas, incluindo estruturas de PJ médica.
    • A modernização da administração tributária via Lei Complementar nº 225/2026 reforça o uso intensivo de dados, análise de riscos e foco em conformidade, o que tende a tornar inconsistências (omissão de receitas, lucros distribuídos sem lastro, etc.) mais facilmente detectáveis.[5]

    "A legislação consolida um modelo de atuação baseado em integração de dados, análise de riscos e estímulo ao cumprimento voluntário das obrigações tributárias." — Receita Federal[5]

    Na prática, é cada vez mais arriscado tentar reduzir artificialmente a carga da PJ médica via subfaturamento, distribuição de lucros sem base contábil ou uso indevido de despesas pessoais como custos da clínica.


    8. Relação com o Rearp Atualização (IRPJ 4,8% + CSLL 3,2%)

    O regime de atualização patrimonial para pessoas jurídicas em 2026 (Rearp Atualização) estabelece que a diferença entre o valor de mercado e o custo de aquisição de bens móveis e imóveis seja tributada por:

    • IRPJ de 4,8% e CSLL de 3,2%, totalizando 8,0% de forma definitiva sobre essa base.[6]

    Embora não seja um regime específico para médicos, ele ilustra a ordem de grandeza da tributação conjunta IRPJ/CSLL que o Fisco considera adequada em base especial. Em atividades correntes da PJ médica sob Lucro Presumido, vimos que a combinação IRPJ + CSLL tende a girar por volta de 7,6% a 8% do faturamento, o que é coerente com essa referência.


    9. Como o médico deve usar essas simulações na prática

    1. Abandonar “alíquota fixa” na cabeça: não há mais espaço para dizer "PJ paga 13%" sem considerar faixa de faturamento, município e forma de distribuição de lucros.
    2. Montar planilha comparativa com colunas mínimas:
      • Município e alíquota de ISS.
      • Regime (Simples x Presumido x Real, quando aplicável).
      • Faturamento mensal projetado por cenário.
      • Custos fixos e variáveis (para calcular margem e lucro distribuível).
      • Carga PJ (ISS + PIS/Cofins/CBS + IRPJ + CSLL).
      • Carga PF (IR sobre dividendos e IRPF sobre pró-labore, se relevante).
    3. Simular faixas de faturamento futuras: incluir cenários com crescimento de convênios, novos serviços, entrada de sócios, etc.
    4. Negociar honorários com base em custo tributário real: usar a alíquota efetiva por cenário para formar preço mínimo por consulta, exame ou procedimento.
    5. Avaliar a necessidade de reorganização societária:
      • Dividir faturamento entre mais de um CNPJ pode trazer riscos se não houver substância econômica e licitude.
      • Reorganizar sócios, contrato social e fluxos de distribuição de lucros, sempre com suporte jurídico e contábil especializado.

    10. Checklist para reduzir a carga efetiva sem aumentar o risco

    • Escolha correta do município:
      • Avaliar cidades com ISS mais baixo (2% ou 3%), quando for viável estabelecer estrutura real (endereço, corpo clínico, atendimento efetivo).
    • Revisão de contratos com planos de saúde:
      • Ajustar honorários considerando a nova carga sobre dividendos e a possibilidade de aumento de custos administrativos.
    • Gestão de custos dedutíveis:
      • Organizar despesas operacionais de forma comprovável e compatível com a atividade.
      • Evitar misturar despesas pessoais dos sócios com as despesas da clínica.
    • Planejamento da distribuição de lucros:
      • Avaliar se faz sentido distribuir lucros de forma mensal ou anual, considerando o limite de R$ 50.000,00 mensais por PJ e por PF para incidência de 10%.
      • Simular se parte da renda deve vir via pró-labore (com INSS e IR na PF) e parte via lucros.
    • Conformidade documental:
      • Em 2026, o contribuinte deve emitir documentos fiscais com destaque da CBS e do IBS em fase de testes, quando obrigado.[4][7]
      • A regularidade das notas fiscais será chave para evitar autuações e malha fina cruzada com pacientes e operadoras.

    11. Pontos de atenção para 2026 e anos seguintes

    • Mudanças normativas: 2026 é ano de transição com reforma do consumo (CBS/IBS) em testes e ajustes em benefícios fiscais a partir da Lei Complementar nº 224/2025.[8][10]
    • Possível imposto mínimo de 14% para alta renda: se implementado, pode exigir que médicos com renda mensal acima de R$ 50 mil paguem, no mínimo, 14% de imposto sobre rendas de capital, pressionando ainda mais a carga efetiva de lucros distribuídos.
    • Aperfeiçoamento da fiscalização eletrônica: com a LC 225/2026, a administração tributária passa a operar com maior integração de dados, priorizando bons contribuintes, mas endurecendo a atuação contra estruturas artificiais de elisão.[5]

    Para o médico, isso significa que planejamento tributário precisa ser técnico, documentado e defensável. “Gambiarras” tributárias tendem a ser rapidamente detectadas por cruzamentos eletrônicos.


    12. Conclusão prática para o médico PJ em 2026

    • A carga efetiva da PJ médica em 2026 oscila, em cenário realista, entre 12% e 22% do faturamento, dependendo de:
      • ISS do município.
      • Faixa de faturamento.
      • Margem de lucro.
      • Volume de lucros distribuídos acima de R$ 50 mil/mês (IR de 10%).
    • Os tributos IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins continuam representando o núcleo da carga das PJs, com participação de 33,71% na arrecadação brasileira em 2024.
    • A partir de 2026, o IR de 10% sobre dividendos passa a ser peça central no planejamento de médicos que recebem lucros relevantes via pessoa jurídica.[2]
    • Diante da fiscalização intensa sobre o setor de saúde e da evolução tecnológica do Fisco, o único caminho sustentável é:
      • Planejamento tributário lícito.
      • Simulação por cenário (faturamento, município, regime, distribuição de lucros).
      • Ajuste de honorários e modelo de negócio à nova realidade tributária.

    FAQ – Carga tributária efetiva do médico PJ em 2026

    1. Qual a alíquota média de impostos de uma clínica médica em 2026?
      Na prática, a alíquota efetiva típica de uma clínica em Lucro Presumido gira em torno de 13% a 16% do faturamento em municípios com ISS entre 2% e 5%, podendo chegar a 18% a 22% quando se considera IR de 10% sobre dividendos altos, dependendo da margem de lucro.

    2. O IR de 10% sobre dividendos se aplica a todo lucro distribuído em 2026?
      Não. Ele incide apenas sobre a parcela de lucros e dividendos que exceder R$ 50.000,00 por mês, por pessoa jurídica para cada pessoa física residente, a partir de 1º de janeiro de 2026.[2]

    3. Vale a pena abrir PJ médica se meu faturamento é baixo (até R$ 30.000,00/mês)?
      Depende do município de ISS, dos custos e do regime escolhido. Em muitos casos, ainda há economia em relação à tributação como pessoa física, mas é essencial simular comparando INSS, IRPF como autônomo e a carga da PJ + IR sobre lucros.

    4. Como a escolha do município afeta a carga tributária da PJ médica?
      A alíquota de ISS, que varia de 2% a 5% na maioria dos municípios, pode alterar a carga efetiva em 3 pontos percentuais ou mais. Em clínicas de alto faturamento, isso representa diferença relevante no lucro anual.

    5. Quais os principais erros tributários de médicos que levam à malha fina?
      Os mais comuns são: omissão de receitas de atendimento particular e convênios, distribuição de lucros sem lastro contábil, uso de despesas pessoais como despesas da clínica e inconsistências entre despesas médicas informadas por pacientes e receitas declaradas pelo médico, o que é especialmente grave num cenário em que mais de 25% das malhas de 2024 envolveram despesas médicas.


    Última atualização: janeiro de 2026
    Revisado por: Equipe Contabilidade Zen


    Perguntas Frequentes (FAQ)

    Qual a alíquota média de impostos de uma clínica médica em 2026?

    Em geral, entre 13% e 16% sobre o faturamento na PJ, podendo chegar a 18% a 22% quando se inclui IR de 10% sobre dividendos elevados.

    Quando o médico paga 10% de IR sobre lucros da PJ em 2026?

    Quando recebe, como pessoa física residente, lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês de uma mesma PJ, sobre a parte excedente.

    ISS do município altera muito a carga da PJ médica?

    Sim. Entre ISS de 2% e 5%, a diferença na carga efetiva pode superar 3 pontos percentuais sobre o faturamento.

    IRPJ, CSLL, PIS e Cofins são relevantes na carga da PJ médica?

    Sim. Esses tributos responderam por 33,71% da arrecadação brasileira de 2024 e formam o núcleo da tributação das PJs, inclusive médicas.

    Por que o setor médico é tão fiscalizado pela Receita Federal?

    Porque mais de 25% das malhas finas do IRPF em 2024 envolveram despesas médicas, indicando alto risco de inconsistências e omissões no setor.


    Fontes e Referências

    1. https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/receita-federal-orienta-medicos-e-odontologos-sobre-contribuicao-previdenciaria-em-servicos-prestados-a-planos-de-saude
    2. https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/receita-federal-atualiza-normas-relativas-ao-imposto-sobre-a-renda-das-pessoas-fisicas
    3. https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/receita-federal-orienta-fontes-pagadoras-e-contribuintes-a-calcular-a-reducao-do-imposto-de-renda-a-partir-de-1o-de-janeiro-de-2026
    4. https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/comunicado-conjunto
    5. https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/lei-complementar-no-225-2026-coloca-o-brasil-no-mesmo-patamar-das-administracoes-tributarias-mais-modernas-do-mundo

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    O que dizem os especialistas

    "Em 2026, a carga tributária efetiva da PJ médica deixa de ser uma ‘alíquota única’ e passa a ser um mosaico por faixa de faturamento e município: ISS, PIS/Cofins (ou CBS), IRPJ e CSLL variam conforme regime, cidade e estrutura de custos. A dica prática é abandonar simulações genéricas e montar planilhas comparativas por cenário – faixa de receita, município e modelo de atendimento – para projetar a alíquota efetiva real e ajustar honorários antes que a nova sistemática corroa sua margem."

    Contador Especialista - Contabilidade Zen

    Tags:

    carga tributária médica 2026
    pessoa jurídica médica IRPJ CSLL ISS
    simulação impostos clínicas médicas

    Última atualização: janeiro de 2026

    Revisado por: Equipe Contabilidade Zen

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